Nunca, na vida, me senti tão sem palavras quanto agora, que tenho vontade de falar sobre Paris. Sempre foi um sonho. Eu era aquela menina que chorava com filmes, revistas, fotografias e músicas feitos na ou a respeito da Cidade Luz. Eu era a que pensava que talvez um dia, num futuro distante, eu conseguiria ir até lá. Mas quando a gente pensa em futuro distante, é meio inevitável pensar também em impossibilidades. Vai que nunca dá certo?
Aí eu vim para Dublin, onde estou, aliás, há sete incríveis meses. E estar aqui é um grande passo para poder ir a outros lugares da Europa. Mas Paris continuava, ainda, como um plano futuro. Bem futuro. Até um belo dia em dezembro, quando um grande amigo me contou que a Torre Eiffel ficaria fechada por um ano, a partir de fevereiro, para reforma. Outra amiga minha, que estava comigo, me disse: Então vamos agora! Outro amigo, o melhor que tenho aqui, por sinal, quis ir também. No mesmo dia, compramos as passagens. E o embarque seria em 21 dias.
A sensação que antecedeu a viagem foi a de que era mentira aquilo tudo. Até que chegou o dia anterior ao embarque, que passei arrumando malas, ainda incrédula, e sem dormir um minuto sequer.
Eu, Fernando e Kris fomos ao aeroporto ainda de madrugada, já que nosso voo sairia às 6 horas e precisaríamos fazer o check in pelo menos duas horas antes. No aeroporto, a espera foi longa, com aquela sensação de eternidade que antecede um momento tão esperado. Aquelas duas horas pareceram dias. E quem me ajudou a não ver o tempo passar foi Fernando, que tagarelava suas peripécias de criança, me fazendo rir, como de costume.
Depois do desembarque, já em Paris, eu ainda tinha a estranha sensação de não estar lá. Foi apenas passando pela imigração, depois de carimbarem meu passaporte e de ouvir meu primeiro “bonjour” que pensei: “Meu Deus, eu estou aqui, realmente”.
O transfer do aeroporto até o centro de Paris demorou outra longa hora. Ao chegar, olhei para os lados, tentando, em vão, reconhecer alguma coisa. Os prédios beges, as ruas com mãos não inglesas, me fazendo redobrar a atenção, um sol tímido, mas presente, a delícia de prestar atenção ao redor e ouvir pessoas falando em francês, língua que considero magnífica. Sem contar na sensação de andar por uma rua totalmente desconhecida, nova, diferente.
Procuramos uma estação de metrô por perto e começamos a andar. De repente, ao fundo, Arco do Triunfo. E estávamos na Champs-Élysées. Comecei a cantarolar “Aux Champs-Élysées” mentalmente. Lá, tirei as primeiras fotografias.
Foi difícil descobrir, na primeira vez, como funcionavam os metrôs em Paris. Chegamos a comprar bilhetes errados, inclusive, válidos para finais de semana. Era uma euforia grande, que eu sentia em nós três. Depois, finalmente, conseguimos nos localizar e Fer foi muito útil nessa hora, já que eu e Kris somos meio perdidas com relação a mapas e direções.
A primeira parada foi em um hotel, onde deveríamos fazer o check in para o apartamento que alugamos. E só poderíamos ir para o apartamento depois das 16 horas. Ou seja, tínhamos quase três horas de espera. Almoçamos no McDonald’s, que, não adianta, acaba sendo a opção mais prática e barata quando você está em um lugar diferente. Lá, fiquei observando aqueles jovens franceses conversando, rindo e comendo. Tudo parecia incrível.
Depois, resolvemos ir até nosso apartamento, mesmo sem ser o horário ainda. Montmartre. O bairro que eu mais queria conhecer. O bairro que eu sabia que era incrível, alternativo, cheio de poesia e lugares incríveis. Não demoramos para encontrar o endereço. Vale lembrar que em Paris as ruas são estranhas e têm, geralmente, números iguais. O prédio que procurávamos era de número oito, então, quando achamos a rua e o número oito, fomos logo tentando abrir o portão. Sem sucesso. Por sorte, alguém nos avisou que deveria ser o outro número oito, logo ali, um pouquinho mais para frente. Bingo. Quando iríamos entrar, uma senhora tentava fazer o mesmo. Ela nos ajudou e falou que estava indo lá para limpar o apartamento, mas que poderíamos subir com ela, sem problemas. O problema, aliás, foi que ela não falava nada em inglês e nós, nada em francês. Então era aquela comunicação estranha e engraçada. Ela nos dizia coisas em francês, fazia mímicas e nós respondíamos em inglês, com mímicas também.
Sétimo e último andar. O lugar era pequeno, mas extremamente aconchegante. A porta de entrada dava para um pequeno corredor. A primeira porta, à esquerda, era a do banheiro. Um banheiro tipicamente francês, embora eu não faça ideia de como são banheiros tipicamente franceses, mas aquele era. E tinha banheira. Depois, uma cozinha normal, com geladeira, armários, fogão, micro-ondas e louça. Perfeito. O quarto/sala era composto por uma beliche, uma cama de solteiro, quatro cadeiras, uma mesa pequena e duas mesinhas ao lado da cama.
Assim que abri as janelas da sacada, tive um pequeno faniquito ao ver a imponente e gigantesca Sacre Coeur. Me senti como a Carrie, no penúltimo episódio da última temporada de Sex and the City, que chega a Paris e, quando sai na sacada, grita de emoção ao avistar a Torre. Só que com menos glamour, é claro, mas eu nunca fui ligada a glamour mesmo, então, simplesmente aproveitei aquela sensação de alegria, que, a todo momento, me fazia acreditar mais e mais que, sim, eu estava em Paris.
Nós três estávamos muito cansados. Muito.
A senhora que nos acompanhou até lá se ofereceu para ir ao mercado com a Kris. Fer deitou e eu fui tomar um banho. Ah, que sensação incrível foi aquele primeiro banho!
Saí renovada, embora morrendo de sono e com a sensação de que tinha um quilo de areia nos meus olhos. Fer, enquanto isso, já tinha pegado no sono. E eu resolvi deitar um pouco, enquanto a Kris não voltava.
Ela também tomou um banho depois e fui com ela até o mercado. Lá, comprei energético, água, refrigerante e vinho. O energético foi para tomar na hora mesmo, já que ainda era cedo e seria desperdício ficar em casa dormindo. A primeira compra num restaurante em Montmartre a gente nunca esquece. Vale lembrar que o vinho era muito barato, cerca de € 1,70. Perfeito.
Voltamos para casa e acordei o Fer, para ver se ele queria ir conosco ver a Torre. Disse que não, estava muito cansado.
Fomos, então, até ela. O mapa do metrô começou a se tornar fácil e logo descobrimos o melhor jeito de chegar até a estação Trocadèro que, segundo Daniel, meu amigo que tinha ido a Paris na semana anterior, era a melhor estação para descer “porque você não vê a torre logo de cara, você anda e, de repente, ela surge na sua frente”, disse ele.
E foi exatamente assim que aconteceu.
Saímos da estação e fomos andando ao lado de um grande museu, ao nosso lado esquerdo. O museu eventualmente acaba e, de frente para ele, há uma praça. Quando viramos à esquerda, em direção a essa praça, pudemos ver a torre iluminada e imponente, ao fundo. A sensação de ver a torre pela primeira vez é algo indescritível. Eu me senti como uma garotinha de 10 anos a se descobrir apaixonada, pela primeira vez na vida, pelo menino mais engraçado da escola.
Quis chorar e sorrir e, não sabendo qual dos dois escolher, chorei e sorri. Ao mesmo tempo.
A caminhada até ela foi mágica. Era incrível descobri-la ainda maior e mais bonita, à medida em que o espaço entre mim e ela diminuía consideravelmente. No meio do caminho, um carrossel iluminado, lindo. E ali eu senti, finalmente, o poder que tem um sonho, quando realizado. Consegui também, de uma maneira bem estranha, lembrar de todas as vezes que chorei por querer estar ali, de todos os sonhos que tive, os filmes que vi, os livros que li, os artistas que estudei. Foi como vencer um grande concurso, sendo que, neste caso, percebi que eu sou a minha maior concorrente na corrida para alcançar alguns objetivos e realizar sonhos.
Era noite e fazia frio. Nada, porém, tinha importância depois que, embaixo dela, sentamos em um banco e ficamos em silêncio, apenas olhando aquilo tudo, por mais de duas horas. “Eu poderia ficar aqui para sempre”, falei. “Me too”, respondeu Kris.
De volta à nossa casa (porque eu gostei de chamar de minha casa e foi assim que me referi ao apartamento durante todo o tempo em que estive lá), acordamos o Fer, comemos alguma coisa, bebemos vinho, conversamos e dormimos.
No dia seguinte, acordei cansada, com sono acumulado e sentindo que aquelas seis horas dormidas foram pouco. Mas eu estava em Paris! Quem liga para o cansaço quando se está em Paris? Ninguém.
A primeira parada foi a Torre, de novo. Dessa vez, iríamos subir. Fer, quando teve a mesma surpresa que a gente na noite anterior, ficou bobo. Ao contrário de mim, ele nunca tinha sonhado em ir a Paris, nunca tinha se imaginado lá. E estar lá, acredito, para ele foi tão mágico como para mim, ainda que pelos motivos opostos. Aí eu percebi que Paris tem isso de encantar desde a sonhadora boba até o menino que nem se imaginava lá. Bingo.
A fila para a compra de ingressos foi deliciosa. Não demorou tanto e só me fazia pensar, com mais calma, que em breve eu veria a minha Paris lá de cima.
Ingressos comprados, fila de entrada, fila para esperar o elevador. E meu coração batendo rápido, como se eu tivesse acabado de competir na São Silvestre.
A chegada ao primeiro andar é uma coisa mágica. De repente, você vê, do alto, aquelas ruas todas, os jardins, os prédios tipicamente franceses em seus tons de bege, o Sena, as pessoas pequeninas, quando vistas de cima. Achei que iria chorar, mas não consegui. Meu rosto, naquele momento, só conseguia pensar em sorrir. E foi o que fiz. Sorri.
A vista de Paris, do alto da torre, merece nada menos do que contemplação. Ali, fiquei pensando na minha vida, nos meus sonhos, nas pessoas que mais amo. E era uma delícia ter comigo duas delas. Fer parecia um menino, cheio de graça e sorrisos. Kris estava eufórica, filmando e fotografando cada detalhe. E eu estava ali, quase flutuando, com uma sensação de plenitude, de felicidade maciça, dessas que a gente sente que pode pegar e morder, como se fosse uma maçã vermelha e suculenta. E foi o que fiz: mordi aquele momento, fechei os olhos para sentir bem o gosto, engoli e comecei a digerir sem, porém, me sentir saciada. Eu queria mais. Paris desperta a gula. E gula, em Paris, não é pecado, é consequência.
O segundo andar deixa tudo menor, quando se vê de cima, e, ao mesmo tempo, faz tudo ficar ainda mais grandioso.
Meu passeio pela torre me fez ter vontade de voar. E foi o que fiz, com os olhos fechados e meu coração disparado.
Depois de descer, ficamos sentados em um banco aos pés da torre. Tudo parecia incrível. Eu nunca havia sentido aquilo antes. Eu me sentia drogada. Drogada por consumir aquele ar gelado, de baixo do céu cinza e ao lado de pessoas que amo demais. Incrível.
Próxima parada: Père Lachaise. Paris tem uma mania estranha de sempre espantar, quando o assunto é tamanho. Aquele cemitério ocupa milhões de quadras, é impossível se achar lá sem mapa, então tive que comprar um. O tempo estava super nublado, caía uma garoa fina e nós estávamos cansados. Então visitamos os dois túmulos que eu mais queria: Héloïse e Abélard e Jim Morrison. No túmulo do Jim eu fiquei um bom tempo, cantarolando músicas mentalmente e pensando no meu irmão, que me educou musicalmente. Foi terapêutico.
Famintos que estávamos, fomos comer em um restaurante oriental que havia ali perto, com preços bacanas e uma comida sensacional. Depois, mercado, mais vinho e casa.
Nessa noite, coisas incríveis aconteceram. Uma delas foi um grito que eu dei, com todas as minhas forças, da sacada: Paris, eu tou bêbadaaaaaaaaa!
Lá, adquiri um ritual que me fez muito bem: todos os dias, pela manhã, eu tomava café na sacada e dizia: Bonjour, Paris. Na quarta-feira, foi a melhor coisa do mundo dizer isso.
Começamos o dia visitando a Sacre Coeur, pertinho de casa. A igreja é, realmente, gigante. A vista interna é uma coisa que desejo a todos que visitarem Paris. Como sempre, fiz um pedido. Uma vez me ensinaram que, quando você entra em uma igreja nova, deve fazer um pedido. E faço isso desde então. Curiosamente, lembrei de quando estive em Guarapuava, no começo de 2011, e pedi, em uma igreja, para que meu intercâmbio desse certo e para que eu conhecesse Paris, um dia. Sorri.
Na saída, queríamos ir até o Les Deux Moulin, famoso café do filme Amélie Poulain. O caminho até o café foi uma delícia, pois descobrimos um Montmartre lindo demais, com feirinhas de rua, galerias de arte, grafites incríveis em muitas paredes, casas e edifícios encantadores. Lá, conversamos com dois lixeiros. Eles nos perguntaram se estávamos gostando de Paris. Dissemos que sim, que era uma cidade encantadora e então, um deles simplesmente tirou, de dentro de um saco, duas torres em miniatura e entregou uma para Kris e uma para mim, como presente. Melhor, impossível.
Eu estava explicando ao Fer como era o café que estávamos procurando. De repente, disse a ele: É um café tipo aquele ali, ó, Fer, de esquina, com uma fachada assim… Por sinal, acho que é bem esse.
E era.
Entramos, sentamos, fomos atendidos por um garçom muito simpático e pedimos um café. O lugar continua igual ao do filme, faltando apenas a tabacaria da hipocondríaca Georgette. De resto, a mesma decoração, o mesmo relógio, o mesmo balcão.
Eu não podia deixar de ir ao banheiro, cena do orgasmo devastador de Georgette. Quando entrei no banheiro, quase gritei ao ver alguns objetos do filme ali, em exposição, incluindo as fotos da viagem do duende pelo mundo. Se eu já estava feliz, ver tudo aquilo e me sentir um pouco dentro de um dos meus filmes favoritos só fez aumentar aquela sensação deliciosa de plenitude, de felicidade e de realização.
Fer ainda me ajudou e roubou o cardápio do café para mim. Melhor souvenir, impossível.
Depois, uma passada em frente ao Moulin Rouge, só pra ver como é e tal e coisa e coisa e tal. O destino mais esperado do dia era o Louvre. E lá, compramos os ingressos sem fila alguma. Idem para entrar.
Descrever a grandiosidade daquele lugar requer palavras que ainda desconheço. Fer foi o que ficou mais encantado com aquela imensidão toda. E, de fato, é incrível demais. Cada exposição parece ser interminável. Corredores longos e altos. Muita gente. Começamos com exposições egípcias, depois gregas e renascentistas. Vale lembrar que aquele museu requer dias para que a visitação seja feita por completa. Monalisa é minúscula. E mágica. Mas a minha favorita ainda é a Vênus de Milo, que contemplei encantada, como uma criança diante de uma piscina de marshmallow.
Um dos grandes prazeres do Louvre está do lado de fora. O dia estava ensolarado e bonito, com aquele frio que chega a ser gostoso, até.
Saindo do Louvre pela pirâmide, você se depara com um jardim muito charmoso, onde cadeiras estão disponíveis ao redor de uma grande fonte, àqueles que querem sentar por ali, relaxar, ler, dormir, conversar. E foi o que fizemos. Kris aproveitou e tirou uma soneca enquanto eu fiquei conversando com Fer e tentando absorver aquela sensação toda. Não sei quanto tempo ficamos ali. Algo entre 30 minutos e a eternidade.
Notre Dame e seu estilo sombrio. A música que tocava me deu uma paz muito grande. O pedido que fiz foi o mesmo da Sacre Coeur. E de uma maneira torta, eu tinha o que havia pedido ali, comigo, naquele momento e em todos os outros…
O Louvre merece ser visto à noite, assim como a Torre, e foi para lá que fomos quando anoiteceu. O ingresso do museu é válido para todo o dia. E precisávamos ir ao banheiro. “Fer, vamos ali no Louvre fazer xixi?” foi a frase que eu disse rindo, ao entrar.
Na sexta-feira, Kris foi para Versailles e eu fui passear com Fer pela Champs-Élysées de novo, para ver o Arco do Triunfo melhor. No metrô, havia um senhor tocando sanfona. Quase chorei. Na Champs-Élysées, ficamos caminhando e conversando, como sempre. O tempo passou rápido demais nesse dia e, quando nos demos conta, teríamos que ir aos Jardins de Luxemburgo, onde combinamos de encontrar a Kris.
Ao chegar nos jardins, fiquei feliz ao ver as boas e velhas cadeirinhas, à disposição de quem quisesse sentar e contemplar a vista. Ventava demais nesse dia, mas tivemos sorte de ter a companhia do sol de novo. Kris chegou, passeamos por ali e fomos até a casa de Alice, amiga de Daniel, porque ele esqueceu algumas coisas lá e fomos buscá-las. Alice é uma francesa linda que fala português. Nos apaixonamos por ela, como tinha que ser.
E nesse dia, comecei a sentir algo muito estranho, quase ruim. Eu tinha vontade de chorar, de gritar, de ligar para a minha mãe e falar que iria morar em Paris para sempre. E, não podendo fazer nada disso, emudeci. Por um bom tempo.
Às vezes é bom ficar em silêncio total, para que possamos organizar melhor nossos pensamentos.
Nosso último dia na cidade dos meus sonhos estava acabando e eu não tinha o direito de estar triste. Não tinha.
Fomos nos despedir da torre e, enquanto eu passava por de baixo dela, ainda meio tristonha, começou a tocar Somewhere Over the Rainbow, na versão lindíssima de Israel Kamakawiwo’ole. Nunca, na minha vida, uma música me fez tão bem. E parece que todo aquele sentimento ruim foi tirado de mim com as mãos. Passou.
Kris foi encontrar uma amiga e eu fiquei com o Fer mais um bom tempo, sentados aos pés da minha tão amada torre. Fer viu que eu estava meio triste e começou a fazer palhaçadas e me contar coisas de sua vida, do seu antigo emprego, dos seus amigos… Dei tanta risada que saí de lá me sentindo mais leve.
No caminho do metrô, eu ia olhando freneticamente para trás. Fer me falou “É só um tchau, Dai”. Pensei comigo que eu sou o tipo de pessoa que olha pra trás. E sempre serei. E aí olhei de novo. E de novo. E de novo. Até ter que virar uma rua e não poder olhar mais. Prometi que voltarei para lá muito em breve.
Em casa, depois que a Kris chegou, ficamos os três conversando até umas 2 horas da madrugada, falando sobre relacionamentos, amor, amizade. Conversas de viagens são sempre as melhores.
Em Dublin, estávamos todos estranhos. Eu ainda estou estranha e já faz uma semana que voltamos.
Fer me disse que ir a Paris fez ele entender que nada é impossível. Eu ainda não sei verbalizar o que houve e o que mudou em mim. Só sei que algo mudou e mudou para sempre. Desde Paris, todos os dias, eu sorrio ao ver a minha tatuagem no espelho. Desde Paris, eu tenho pensado em coisas que não pensava antes.
Minha irmã me mandou um e-mail essa semana com uma frase do Oscar Wilde que diz “Só duas tragédias na vida: a de satisfazermos nossos desejos, a outra a de não satisfazermos.”
De repente, é isso. De repente, não sei.
Depois de Paris, que era meu sonho maior, eu não sei ao certo o que sonhar. E, ao mesmo tempo, borbulham em mim novas ideias e desejos.
Depois de Paris, eu deixei de esperar que sonhos se realizem. Agora eu sei que eles, de fato, acontecem. E quando a gente toma consciência disso, é impossível voltar a ser a pessoa que se era antes.
Obrigada, Fer. Obrigada, Kris.
Eu amo vocês tanto quanto amo Paris. E foi ótimo tê-los comigo em alguns dos que foram, sem dúvida, os dias mais mágicos da minha vida.

(Daiana Geremias)