Às vezes eu odeio meus textos do blog. Parecem uma egotrip sem fim e, por algum motivo, a gente é ensinado desde sempre a não falar muito sobre si mesmo, nem para o bem, nem para o mal. Aí a gente cresce e tem que fazer terapia para aprender a discursar em primeira pessoa sem sentir culpa. Ah, seres humanos! Tão inocentes e imbecis de vez em quando…

O fato é que existe uma época do ano em que é permitido ter todas as egotrips desejadas. Chega dezembrão perto do Natal e batata: tá todo mundo falando sobre si mesmo e dizendo como cresceu, viveu e aprendeu no ano que passou. Então já que tenho meu aval sazonal para focar em mim e somente em mim, vou aproveitar.

Eu costumava curtir muito essa época do ano quando era criança e até pouco tempo atrás, na verdade. Fazia retrospectivas e listas de metas. Comprava roupas brancas para a meia-noite mais supervalorizada de todas e gastava o dinheiro que tinha para presentear minha família e alguns poucos amigos.

Aí o tempo passa e a gente vai criando uma certa casca cética da vida. A gente percebe que, no fundo, a porcaria da meia-noite não muda nada na prática e que Papai Noel é um personagem inventado que usa roupa vermelha por causa da Coca-Cola. Sabe?

Quando o ano vai acabando, gosto de rever minhas conquistas e meus tombos, realmente aprecio as comidas e bebidas típicas e amo quando meus irmãos se reúnem e minha mãe fica feliz e meus sobrinhos me mostram como estão enormes e lindos e inteligentes.

No finalzinho de 2016, tive comigo um marido. Logo eu, que sempre disse que nunca me casaria. Nesse ano, esteve comigo o homem mais incrível que já conheci, e que me faz rir e me ensina coisas novas todos os dias; o homem que faz comida para eu levar para o trabalho e com quem eu azedei pepino há algumas semanas, pela primeira vez na vida.

No último ano, lá no terceiro mês dele, eu tive um AVC e quase morri de medo. Depois, quando vi que não morri, perdi o medo de muita coisa. Fui para São Paulo rever amigos queridos, fui para o Rio de Janeiro ser fotografada sem roupa pelo fantástico Jorge Bispo, fui para Prudentópolis, na casa do meu pai, onde eu não pisava há muito, muito tempo. No último ano eu fui; segui o fluxo.

E, de repente, por causa de uma carta e de uma mensagem, abri a porta para aquele menino que roubou meu coração quando eu tinha 14 anos. Mudei de casa e, para o espanto geral da nação, fui morar com esse moço e com ele me casei em pouquíssimo tempo. “Mas não é cedo demais?”, me perguntaram – não, não é. Quando a gente deixa as coisas seguirem seu rumo natural, percebe que tudo acontece ao seu tempo, e eu esperei longos 15 anos para ter o Philipe ao meu lado. Foi de repente, mas não foi cedo.

Agora eu me pego fazendo planos, pensando em nomes de filhos, comprando coisas para fazer comida polaca, aprendendo a beber cachaça, conhecendo pessoas novas e, o melhor de tudo: dormindo com alguém que me abraça todas as noites e diz que me ama mil vezes ao dia.

Passamos juntos a última virada de ano, só nós dois, felizes da vida, em um hotel charmoso aqui de Curitiba. No ano retrasado, comprei uma Chandon tradicional – neste último ano, escolhemos a versão Rosé. No ano retrasado, fiquei sozinha à meia-noite, e foi uma experiência fantástica. Neste ano, tive a melhor companhia possível – a companhia que me fez ver que as coisas às vezes atropelam a gente e acontecem de forma maluca, mas nem por isso errada.

É diferente e divertido fazer planos em dupla, e a gente já tem alguns para este 2017 sem porteira. Se darão certo ou não, não tem como saber – e também o conhecimento com antecedência eu dispenso: se tem uma coisa que a vida me ensinou é que surpresas podem ser boas, que em um ano tudo pode mudar, e que mudanças fazem bem. Vida é movimento.

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